Entenda a diferença entre o batismo feito por João e o feito por Jesus

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João Batista e Jesus de Nazaré: dois homens, dois batismos

Caro internauta, quando lemos os Evangelhos, encontramos um personagem bastante peculiar, um homem que andava pelo deserto anunciando a proximidade do Reino dos Céus e pedindo ao povo que se convertesse. Seu nome era João.

De acordo com as Escrituras, este mesmo personagem vestia-se com roupas feitas de pelos de camelo, usava um cinto de couro à cintura e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre. Conta o Evangelho que toda Judeia e toda a região do Jordão saíam à sua procura para serem batizados por João (cf. Mt. 3,4-6).

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Foto Ilustrativa: ajfigel by Get Images

Existe nos Evangelhos outro personagem: Jesus de Nazaré. Esse mesmo Jesus, no fim do Evangelho de Mateus, depois de Sua Morte e Ressurreição, ordena seus discípulos a irem a todas as nações e batizarem todos quantos podiam (cf. Mt 28,19). Temos, portanto, dois personagens e dois batismos.

Primeira pergunta: Por que Jesus quis encontrar João Batista?

Até o momento, falamos de João e de Jesus separadamente. Nosso propósito, agora, é fazer o encontro desses dois personagens. Para isso, não precisamos fazer muitos rodeios, o próprio Evangelho de Mateus narra esse acontecimento.

A partir do versículo treze do terceiro capítulo, o Evangelho de Mateus apresenta esse magnífico encontro. Conta a passagem que Jesus veio da Galileia para o rio Jordão para encontrar-se com João. Qual seria, afinal, o motivo desse encontro? A resposta é bem simples, o batismo de Jesus por João.

João, ao saber que teria que batizar Jesus, e, reconhecendo n’Ele o tão esperado Messias, tomou um grande susto. João até tentou recuar dizendo o seguinte a Jesus: “Eu é quem preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”. Não adiantou! Quando João percebeu que Jesus não sairia dali sem o batismo, reuniu a coragem que ainda tinha e o batizou.

Segunda pergunta: existe diferença entre o batismo de João e o dos discípulos de Jesus?

Diante desses dois acontecimentos, cabe outra pergunta: Afinal, existe diferença entre o batismo que João realizava e o batismo que Jesus orientava os Seus discípulos a fazerem? A resposta é um categórico “sim”.

O batismo de João era o de arrependimento. Aquele que recebia esse batismo estava reconhecendo-se pecador diante de Deus. Já o batismo de Cristo tinha a eficácia de purificar do pecado e conferir a graça. Quanto a Cristo, afirma Tomás de Aquino, nem precisava receber a remissão dos pecados, dos quais estava isento, nem de receber a graça, da qual tinha a plenitude.

Talvez este tenha sido o principal motivo que levou João Batista a ficar desconfortável quando Jesus pediu que fosse batizado por ele. João sabia que naquele homem não se encontrava qualquer tipo de pecado. Dessa maneira, Jesus não precisava do batismo de João porque não tinha do que se arrepender.

Terceira pergunta: o batismo de João era sacramento?

Antes de responder essa pergunta, somente a título de conhecimento, havia um terceiro batismo realizado pelos judeus. Esse batismo, preconizado pela lei mosaica, estava mais associado a um banho de purificação. Contudo, o batismo judaico não tinha relação com o batismo de João. Cabe salientar que o batismo judaico também não tinha relação com o batismo sacramental dos cristãos.

Tomás de Aquino, na sua monumental obra “Suma Teológica”, reforça a ideia de que João batizava com água, o batismo de conversão e de penitência; Jesus, batizava com o Espírito Santo e com Fogo. Portanto, toda a doutrina e ação de João eram preparatórias para a de Cristo, logo, o batismo de João não conferia a graça e a Verdade trazida por Jesus. Segundo o Evangelho, a graça devia ser conferida aos homens por Cristo.

Assim, de uma maneira bem direta, e para nos restar dúvidas, o batismo de João Batista não era o “Sacramento do Batismo” que hoje recebem os cristãos.

Algumas questões teológicas acerca do batismo de Jesus

Convém relembrar que o batismo de Jesus foi realizado no seu trigésimo ano de idade e, consta nas Sagradas Escrituras que a partir deste momento Jesus começou, por assim dizer, a ensinar e a pregar. A idade dos trinta anos era tida pelos judeus como a idade perfeita. Por isso, como se lê na Escritura, José tinha trinta anos quando assumiu o governo do Egito, Davi tinha trinta anos quando começou a reinar e, nesta mesma idade, Ezequiel começou a profetizar. Assim, Cristo recebeu o batismo numa idade em que podia assumir todos os pecados de modo que ninguém pudesse dizer que ele aboliu a lei por não a poder observar.

Teologicamente, Cristo devia ser batizado para que as águas fossem batizadas e pudessem servir para o batismo daqueles que devessem ser futuramente batizados. Cristo, embora não fosse pecador, assumiu uma natureza pecadora. Ele foi batizado para imergir na água todo o velho Adão. Dessa forma Cristo não só devia cumprir os preceitos da lei antiga, mas ainda dar início aos da nova, por isso, quis batizar-se.

Neste artigo, nos detemos a firmar a ideia de que o batismo de João era diferente do batismo de Jesus, não obstante, não aprofundamos o significado do Sacramento do Batismo. Por isso, quero motivar você, que por ventura já recebeu este Sacramento, a se aprofundar no conhecimento dele. O Catecismo da Igreja Católica, do parágrafo 1213 até o 1284, discorre linda e profundamente acerca do Batismo. Vale a pena conferir!

REFERÊNCIAS: AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. Tradução Aldo Vannucchi et al. v. 8, parte III: questões 1 – 59. São Paulo: Loyola, 2002. p. 564-567