25 setembro 2018

Um católico precisa saber…

AOS SENHORES PÁROCOS, VIGÁRIOS PAROQUIAIS E AUXILIARES, REITORES DE SANTUÁRIOS E SEMINÁRIOS, SECRETÁRIA(O)S PAROQUIAIS

 

A vigente Legislação Diocesana do 1º Sínodo da Diocese de Novo Hamburgo de 1990, em seu Diretório Litúrgico para os Sacramentos, na parte VI, que trata sobre o Sacramento do Matrimônio nos diz que:

 

  1. Os pastores de almas têm obrigação de cuidar que a própria comuni­dade eclesial preste assistência aos fiéis, para que o estado matrimonial se mantenha no espírito cristão e progrida na perfeição. Essa assistência deve prestar-se, sobretudo:
  2. a) Com a pregação, com a catequese apropriada às crianças, jovens e adultos, mesmo com o uso dos meios de comunicação social, pelos quais os fiéis sejam instruídos sobre o sentido do Matrimônio e o papel dos cônjuges e pais cristãos.
  3. b) Com a preparação pessoal para a celebração do Matrimônio, com o qual os noivos se disponham para a santidade e deveres do seu novo estado.
  4. c) Com a frutuosa celebração litúrgica do Matrimônio, na qual se mani­feste claramente que os cônjuges simbolizam o mistério da união e do amor fe­cundo entre Cristo e a Igreja, e dele participam.
  5. d) Com o auxílio prestado aos casados para que, guardando e defenden­do fielmente a aliança conjugal, cheguem a levar na família uma vida cada vez mais santa e plena.
  6. Em todas as paróquias haja uma bem planejada preparação remota e próxima ao Matrimônio. O curso dos noivos é uma exigência normal, muito em­bora sua omissão não possa ser considerada como impedimento para o casa­mento religioso.
  7. Os católicos que ainda não receberam o sacramento da Confirmação, recebam-no antes de serem admitidos ao Matrimônio, se isto for possível sem grave incômodo.
  8. Para que o sacramento do Matrimônio seja recebido com fruto, recomenda-se insistentemente aos noivos que se aproximem da Penitência e da Santíssima Eucaristia.

 

Muitos são os casos que nos chegam, onde por uma questão de tempo, os noivos apresentam-se à última hora para marcar o casamento em nossas Secretarias Paroquiais, e por vezes ainda não tem feito a Primeira Eucaristia e recebido a Crisma.

É um impedimento? Não. Se não há possibilidade de encaminhar para uma boa catequese antes, faça-o logo em seguida, uma vez que os Sacramentos são também e sempre, etapas de crescimento, amadurecimento e conhecimento da fé católica, que dizem professar, ou que ainda irão professar convictamente. A recepção do Matrimônio, não dá o direito automático de sair comungando, se antes não participou da devida catequese preparatória e confessou devidamente.

Pode acontecer que, para os que vêm de outra religião cristã, e somente tem o batismo, queiram ser católicos. Muitas vezes não há tempo suficiente para realizar uma preparação digna. O que fazer? Solicitar a licença de casamento misto, e depois realizar a catequese, fazer a profissão de fé católica, e receber os Sacramentos que faltam.

Algumas paróquias de nossa Diocese têm cometido o abuso de admitir aos Sacramentos fiéis provindos de outras denominações religiosas, somente pelo fato de pagarem o dízimo e começarem a participar das celebrações Eucarísticas. Frisamos novamente a necessidade uma boa catequese preparatória, para depois da profissão de Fé correspondente, começar a receber os Sacramentos. Os matrimônios realizados em outras igrejas cristãs, deverão ser convalidados em nossa Igreja, isto é, preparada a habilitação matrimonial normal, deve ser tomado novamente o consentimento matrimonial dos cônjuges.

É bom lembrar que a IECLB e a IELB somente tem o Batismo válido, e nenhum outro Sacramento mais. Para o casamento é imprescindível que os noivos ao menos tenham recebido o Batismo. Se não o tiverem, sim, é um impedimento.

Pode ser que os noivos optem por ficar cada um na sua religião de origem, como é o caso de casamentos entre católicos-evangélicos-luteranos-episcopais etc., mas querem realizar a cerimônia na igreja evangélica. A parte católica, que assim quiser continuar sendo, deverá pedir, além da licença de casamento misto, a dispensa de forma canônica.

Não existe casamento ecumênico, e não se faz cerimônias em conjunto com ministros de outras igrejas. Deixe que o pastor faça a cerimônia na sua igreja própria e não se envolva. Se houver um convite, não “concelebre”, assim como se acontecer na Igreja Católica, o pastor não irá “concelebrar”. Aí é uma questão de combinação, em termos de uma mensagem, preces ou alguma oração para o casal conhecido. O fato de ser um casamento misto, não dá o direito em nenhum momento, para a parte evangélica, de receber os Sacramentos (Confissão e Eucaristia) na Igreja Católica. Assim como a parte católica, não participará da “santa ceia” dos evangélicos (cf. Guia Ecumênico, estudos da CNBB 21, págs. 186-196).

Nas situações especiais que nos chegam, vale sempre acolher bem as pessoas de casamento só no civil e de segunda união. Os que estão casados só no civil, e que não possuem nenhum impedimento, sejam movidos a receber o Sacramento do Matrimônio. Os de segunda união, e quando possível, sejam encaminhados para um possível processo de nulidade matrimonial no Tribunal Eclesiástico. Segue válido e em vigor, conforme a disciplina da Igreja Católica, que eles não devem participar da Comunhão Eucarística e nem da Confissão, sendo que, nestes casos, sempre é possível qualquer tipo de aconselhamento, desabafo, direção espiritual dos mesmos. Os padres e os diáconos não podem dar-lhes bênçãos de nenhum tipo em “cerimônias” preparadas, pois estariam simulando o Sacramento do Matrimônio, e levando ao erro e pecado seus paroquianos, a quem devem bem conduzir para uma solução e saída digna, bem como uma orientação conforme.

Para os casamentos comunitários que se realizam de tempos em tempos em nossas paróquias, vale a preocupação de uma boa preparação catequética, a ser combinada, durante um prazo anterior ao casamento, a fim de que aqueles que não foram batizados, nem tiverem recebido a Primeira Eucaristia e a Crisma, recebam estes Sacramentos no mesmo final de semana que estarão casando, para não terem dificuldades ulteriores de receber com fruto a Graça que lhes é concedida, uma vez que já vivem uma situação em que devemos facilitar sua resolução.

Nas dúvidas que possam surgir, para outros casos não mencionados, comuniquem-se imediatamente comigo.

 

 

In Iustitia Christi,

 

 

Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral

 

 

Novo Hamburgo, 23 de setembro de 2009, na Memória de São Pio de Pietrelcina.

[